10/07/2017

Metalinguagem


Faz tempo sim, que não escrevo. Apenas fito essa página em branco e esforço-me para encontrar as palavras adequadas para conseguir preenchê-la. Vivo tentando acalmar as ânsias da alma, que pulsa para expressar, através das palavras, aqueles sentimentos que tornaram-se velhos demais para serem escritos. 

E quando não escrevo, encontro-me procrastinando para escrever, pois temo algum dia não ser capaz de realizar tal arte. De esquecer-me da forma correta de usar a vírgula, o pronome oblíquo, a conjugação verbal. E tudo fica mais difícil quando insisto em ser formal, sempre tentando minimizar minha subjetividade no momento da escrita. 

Creio que meus textos são a escória no mundo da escrita. E eu sou definitivamente um projeto mal acabado de escritora. Um erro de programação que Deus cometeu quando teve a péssima ideia de criar os humanos. Conquanto, persisto em abrir uma página e tentar compelir algumas palavras que percorrem minhas artérias, ainda que me perco em devaneios entre um parágrafo e outro. Honestamente, usar a metalinguagem como recurso deve ser o cúmulo do meu desespero. 

Ás vezes a escrita é excessivamente fatigante, ao mesmo tempo em que é benevolente pois alivia um peso de meus ombros. E produz o mesmo efeito que um remédio ou uma música do Caetano Veloso. É como a droga para um viciado, luz solar para as plantas, insulina para um diabético. É essencial como oxigênio. 

09/06/2017

Jardim da minha vida


A chuva cai decorando com gotículas de água as pétalas das flores, levando cor para aquela grama que almeja vida e espalhando o típico cheiro de terra molhada pelo ar, que faz crescer um sentimento de nostalgia dentro de mim. Ali, no canto do jardim, perto das flores que preenchem o chão, há um gato fofo que vive me lançando olhares pedindo comida e raramente me deixa em paz, nem mesmo nos dias chuvosos. Do outro lado, está uma elegante árvore de galhos espaçosos que ficam floridos durante toda a primavera. E é por causa daquelas flores que o jardim fica lindo nessa época do ano e que faz os olhos ficarem imóveis.

Observo a chuva cair encharcando toda a extensão desse inconstante jardim, que por vezes exibe suas flores tão lindas e suas cores tão vibrantes, mas que nas intensas estações elas murcham tragicamente, o solo lateja pedindo água para poder sobreviver, o gato fica mais magro e aquela elegante árvore perde suas folhas e torna-se uma árvore quase sem vida. 

A primavera mais uma vez volta para colorir o jardim. O ciclo se repete.

28/03/2017

Resfriado

Estou doente. E quando estou doente tudo fica assim. Os alimentos perdem o sabor, o tédio me domina, o mal humor fica estampado na minha cara e meus posts ficam sem fotos. As músicas lentas tornam-se lentas demais; as músicas animadas tornam-se irritantes. Odeio ficar doente. É uma das coisas que mais odeio. E essa dor de garganta, fruto de uma porcaria de ar-condicionado, causa uma tosse infinita que tento estancar com vários litros de chá. Não que seja um problema tomar chá.
O resfriado afeta tudo: meu aprendizado em biologia que já não é tão grande, meu bom humor que também é quase inexistente, minha criatividade e minha capacidade de fazer textos longos.